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A "abstração" na fotografia

Pensando a fotografia que, dentro das artes visuais é a que mais estudei, vejo como equivocado o uso do termo fotografia abstrata em imagens como essas do meu ensaio (mais para o final do texto falo do conceito deste ensaio em si).

Se pensarmos filosoficamente o que é abstrato, TODA fotografia é uma abstração por estar inerentemente separada do que ela representa. Uma fotografia é a fotografia do que ela representa, ela não é o representado em si e, sem a capacidade de abstrair as imagens, nós não identificaríamos o fotografado (uma vez li um texto sobre imagens fotográficas exibidas para tribos isoladas que não tinham a cultura visual que temos e elas não reconheciam o que estava na imagem - se alguém tiver esse texto, que eu nem sei se tenho mais, entre em contato ou poste nos comentários!).

Um outro exemplo, para facilitar, seria pensar na fotografia preto e branco. O tema fotografado, mesmo quando pode ser reconhecido na fotografia, não é preto e branco e depende da nossa capacidade de abstração, graças a uma cultura inundada de imagens (inclusive fotografias) que vivemos, para conseguir identificá-la.

Então, o termo mais correto que devia ser usado é representativa ou não representativa. Ai sim, mesmo entendendo a fotografia sempre como uma abstração, ela pode (ou não) representar, sem ser o representado, algo do mundo real.

Agora, voltando então ao conceito dessas fotografias não representativas, neste ensaio incorporo algumas características de um movimento artístico que gosto muito, o expressionismo abstrato. E, fechando um pouco ainda mais, no Action Painting (Jackson Pollock, Hans Hartung) trazendo para o campo da fotografia uma imagem que incorpore em si também o movimento do artista e o tempo para sua produção.

E veja também aqui no site o álbum macro expressionismo abstrato, também com imagens não representativas, fotografadas com as técnicas da macrofotografia mas na maioria dos casos inspiradas/incorporando o Color Field do expressionismo abstrato (Mark Rothko, Barnett Newman).

E aproveitando a postagem, todas essas imagens (e uma infinidade de outras) estão disponíveis para venda no formato impresso para decoração ou coleção (emolduradas ou não e no tamanho que você precisar - uma coisa muito comum é eu ajudar a ressuscitar antigas molduras de clientes com novas imagens para suas casas ou escritórios).

Havendo interesse entre em contato!

Alguns links (bem básicos) para pensar um pouco mais sobre abstrato e representativo:
- Abstração (wikipedia)
- Abstrato (dicionário Michaelis)
- Representativo (dicionário Michaelis)

Texto escrito por Tacio Philip em 26/05/2020.


Complementação do texto depois de questionamento feito pelo Prof. Guilherme Ghisoni, da UFG, em seu grupo Laboratório de Pesquisa de Filosofia da Fotografia.

"Tacio, muita bonita a textura da imagem! Mas em qual sentido todas as fotografias seriam abstratas? Todas as fotos, mesmo as não representacionais, dependem de uma relação causal com algo, que poderia ser considerado o substrato da imagem."

Meus comentários:

"olá! Não sei se vc viu, mas no link http://www.macrofotografia.com.br/abstracao-na-fotografia coloquei uns parágrafos a mais sobre o porquê eu enxergar todas fotos como abstração e mais algumas fotos. Ai entra aquela função condicional de programação: se já viu, pule para o próximo comentário :-)"

"Agora vamos lá, perguntas são boas para perder o sono e dar trabalho para colocar o pensamento em ordem (e essa é a parte divertida).
Primeiro, eu estou pensando a fotografia como a imagem fotográfica, não um papel com a imagem fotográfica impressa (vamos simplificando - ou melhor, já abstraindo - para facilitar).
Mesmo toda imagem sendo um índice, o que mostra que não dá para existir uma fotografia sem esse referencial, o que cria, fisicamente, a fotografia são os fótons que não são absorvidos por esses referenciais e que são captados pelo suporte fotográfico (isso me fez lembrar até do seu ensaio do que "as plantas comem", mas vou tentar focar e voltar para a "abstração"). Então, mesmo havendo o "algo", se não houver a luz, não há a fotografia, o que define seu nome e que, pensando agora, consigo fazer uma meio-analogia (bem extrapolada) com a pintura que tem a tela, o pincel e a tinta como meios físicos, mas o "algo" abstrato na cabeça do criador e não físico, como na fotografia, ai nisso concordo com sua observação.
Mas, além desse referencial físico, a imagem fotográfica comunica através de símbolos e, nessa relação, a interpretação do observador influi no resultado da comunicação. No texto que postei no link comento sobre um texto que li sobre (provavelmente eram) tribos isoladas que não tinham cultura imagética e que não identificavam o que estava na imagem (se souber qual texto é, estou procurando e não acho!), então o resultado da imagem fotográfica vai depender da interpretação do observador, de sua abstração para definir o que é o seu conteúdo, e é o ponto que faz com que eu enxergue atualmente toda fotografia como uma abstração, mesmo tendo sua origem em algo concreto."

"ah! e no texto, deixando de lado as definições do "abstracionismo" na arte, por ver a fotografia como abstrata, acho que o correto seria definir com os termos "representativa" e "não representativa", o que também é algo não absoluto por depender do observador (que inclusive pode "nadar" de uma definição para outra, coisa que é muito comum nas outras fotos que faço, as macrofotografias)"

Texto complementado em 28/05/2020



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