Hoje, dia 10/03/2021, enquanto ouço declaração do governo do estado de São Paulo sobre a epidemia, vejo que o Brasil bateu, mais uma vez, o recorde de mortos por covid-19 em 1 dia (1972 mortos em um dia) vejo também, se considerar as proporções, a notícia não tão grave que a Editora Gustavo Gili Brasil (GG) está encerrando suas atividades no Brasil.
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Como os primeiros temas que citei nem preciso comentar devido sua gravidade, vou me preender a este último, não literalmente mortal, mas que mostra que, além dessa óbvia situação que enfrentamos de economia quebrada, o pensamento sobre fotografia está moribundo.
Hoje vivemos em um mundo totalmente visual devido a popularização da fotografia com os smartphones, o que não é ruim, mas também não significa que a fotografia está sendo pensada e não sendo apenas usada como um registro para facilitar a comunicação, afinal diz o ditado: "é ver para crer". Inclusive, usando ainda este mesmo exemplo sobre a fotografia hoje, poderia citar a questão de exibição ou de verdade fotográfica, o que seriam alguns exemplos do que quero diezer sobre o pensamento que podem ser realizados sobre a fotografia.
E o que isso tem a ver com meu primeiro parágrafo? A editora GG está (estava...) no Brasil há 9 anos, a acompanho provavelmente há 8 ou 9 anos, e durante todo esse tempo recebi seu apoio com o envio de dezenas de livros sobre fotografia e arte para que fossem feitos alguns reviews e divulgações (além de outros títulos que sempre me interessavam). E sendo atualmente mais um estudioso sobre fotografia que um fotógrafo, posso dizer que pouquíssimas editoras publicaram no Brasil tantos títulos com profundidade para a discussão fotográfica.
Pensando também em outro lado, foi também a GG que trouxe para o Brasil o que entendi como uma nova tendência nas publicações fotográficas, com livros que não se preendiam na técnica fotográfica (tema já muito explorado com excelentes publicações), mas com muitas dicas do que posso definir como "olhar fotográfico", de modo que o fotógrafo pense e crie sua fotografia de uma maneira além de uma foto bem feitinha, o que pode ser visto nos diversos livros de Henry Carroll, David Gibson, Glauco Tavares, Joel Meyerowitz etc.
Ou seja, a GG preenchia um espaço pouquíssimo explorado com livros de leitura leve para ajudar no seu olhar fotográfico, na sua criatividade, até livros de leitura pesada puxando a conversa para a filosofia da fotografia (meus preferidos).
E agora, junto com todos esses outros problemas que já enfrentamos (e em um momento que até pensava em desenvolver algum tipo de workshop ou bate-papo fotográfico sobre filosofia da fotografia - talvez uma ideia que tenha nascido morta), ficamos órfãos de suas publicações. E não estou dizendo que não existem outras editoras que publiquem títulos assim, não é uma competição, uma editora a menos é uma perda para todos que gostam de fotografia, não é só uma mudança no ranking (vale ressaltar que provavelmente perdemos também a Editora Photos, por onde lancei meu livro macrofotografia e close-up (2012), que não fez nenhum pronunciamento oficial, mas há mais de um ano seu site está fora do ar e sem atualizações nas suas redes sociais...).
De qualquer maneira, mais uma vez agradeço MUITO a editora GG e todas as pessoas que sempre me atenderam muito bem, me mandando inclusive livros de temas nem sempre sobre fotografia quando eu os pedia. Quem sabe em um futuro pós-pandemia (haverá um?) ela não volte.
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Texto escrito por Tacio Philip em 10/03/2021.



