A boa câmera é aquela que atende aos objetivos do fotógrafo. Partindo disso, é fácil dizer se sua câmera é boa ou não. Basta, contudo, saber o que você pretende.
Um possui uma Cannon EOS 300 V, outro uma Nikon F 90 o terceiro uma digital e assim por diante. Mas ninguém parece estar conformado. E, das muitas perguntas já feitas em aula, a insatisfação ficou provada pela duvida comum: “Minha câmera é boa ou ruim?".
A resposta praticamente não existe. É impossível responder a cada caso isolado, devido ao fato que na fotografia existe um principio que diz: "somente o dono da câmera poderá dizer se ela é boa ou não". A única coisa que podemos fazer é ajudar.
Toda a câmera deve ter duas qualidades essenciais: condições que permitam a exposição correta, e os recursos adequados, como controle do diafragma, velocidade, fotômetro e modos programados que satisfaçam os objetivos do fotografo. Atualmente, quase todas as câmeras expõem corretamente. As exceções são as câmeras mais populares, cuja óptica da objetiva e seus respectivos sensores digitais nem sempre são de qualidade suficiente para exposições corretas.
Mas, não ligue para isso, pois não há câmera que não distorça de alguma forma a realidade, tanto no tamanho, quanto na proporção, na perspectiva, ou mesmo na cor. Não há fotografia que reproduza a realidade como ela exatamente se apresenta. A fotografia é sempre uma realidade diferente do assunto que você fotografa.
A ligação entre essas duas realidades é feita pela sua consciência e pela consciência das pessoas que vêem a sua foto. E, já que todas as câmeras transformam a realidade fotografada, acaba o problema de saber qual é a melhor. O que interessa saber é como cada câmera transforma a realidade. Cada uma tem um modo característico de expor o filme, e é normal que cada fotografo prefira determinados modos. Alguns gostam mais do modo da Canon, outros da Nikon, Fuji, etc...
Esse problema é relativo a segunda qualidade necessária para uma câmera ser boa. Hoje é normal o uso de técnicas para produzir propositadamente efeitos de movimentos, de desfoque, contraste, granulação, alta saturação das cores, dentre muitos outros. Tudo isso não deixa de ser distorção da realidade. Para um fotógrafo interessado nesses tipos de efeito, o problema da "câmera boa que reproduz perfeitamente a realidade", não tem o menor sentido. É preciso saber o que o fotografo quer fazer com a câmera, e isso torna mais difícil a sua escolha e o seu julgamento.
O primeiro problema é que esses objetivos mudam rapidamente. Hoje, ele pode estar interessado em fotografar concertos de rock ou espetáculos teatrais, precisando, portanto, de uma câmera 35 mm, com objetiva de grande luminosidade e filmes ultra-sensíveis, para fotos em cenas de pouca luz. Amanhã, pode resolver fotografar textura de metais enferrujados, e vai correr atrás de uma câmera de médio ou grande formato, acompanhada de um tripé de 15 kg. E, já que é impossível fabricar uma câmera capaz de satisfazer todos os objetivos imagináveis, elas foram projetadas para atender ao maior numero possível deles. Por isso, quanto maior o numero de objetivos que uma câmera satisfaça, melhor ela é.
Um fato conhecido na historia da fotografia ilustra bem essa afirmação. Muitas fotos tiradas no final do século XIX, inclusive algumas famosíssimas por sua qualidade fotográfica, foram produzidas com lentes defeituosas, incapazes de uma focalizarão perfeita. Não havia lentes melhores naquela época, e a solução foi se ajeitar com as existiam.
Mas se você tem uma boa objetiva, capaz de produzir um foco perfeito, é melhor. Poderá optar ser quer uma foto no foco ou não, coisa impossível naquele tempo.
Com o grande numero de recursos, aumenta a sua liberdade de querer se comunicar por meio da fotografia, mas como não ha câmera com todos os recursos imagináveis, você terá sempre que definir antes quais os seus objetivos, e a partir deles, ver qual a melhor câmera para você. O mais comum, é que o principiante não saiba de inicio onde pretende chegar. Nesse caso terá que fazer uma opção fundamental: ou compra uma câmera Reflex High Tech, em definitivo, ou adquire uma câmera mais simples para ser usada no inicio, para ser substituída mais tarde. As high tech, além de não produzirem o "erro de paralaxe", utilizam um grande numero de acessórios como objetivas, zooms, filtros, e outros. Você poderá ir comprando à medida que for definindo seus objetivos.
As câmeras mais simples e baratas, com pouco ou nenhum acessório extra, que permitam ajustar manualmente os controles de focalização, diafragma e velocidades, tem a vantagem de preocupá-lo um pouco no inicio, com detalhes técnicos.
Qualquer que seja a câmera escolhida, o resultado só pode ser bom. As câmeras eletrônicas high tech programáveis, de última geração, com Auto Focus, liberam o fotógrafo de ajustes e cálculos técnicos, desde que o mesmo saiba operá-la adequadamente, desenvolvendo a capacidade de escolher bem o assunto e explorá-lo visualmente o melhor possível.
ESTA É A PRIMEIRA CONDIÇÃO PARA SER UM BOM FOTÓGRAFO!
Artigo originalmente publicado na Revista “ Photo & Câmera”, N. 03, Ano 1.
AUTOR: Prof. Enio Leite. Focus - Escola de Fotografia
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