Introdução
No fascinante mundo de se fotografar os pequenos motivos, seja a fotografia close- up ou macrofotografia, um dos problemas enfrentados é referente a iluminação.
Para se conseguir bons resultados em fotografia de aproximação, alguns requisitos devem ser cumpridos:
i) diafragma de objetiva fechado o máximo possível a fim de se obter uma boa profundidade de campo;
ii) tempo de exposição curto para evitar a desfocagem do motivo, devido a pequenos deslocamentos da câmera;
iii) filmes com grãos pequenos para captar o máximo de detalhes, apresentando uma boa nitidez, o que significa o uso de filmes de baixa ou média sensibilidade ( no máximo ISO 100 ).
Conforme se aumenta a relação de reprodução, que é a relação entre o tamanho da imagem e o tamanho real do objeto a ser fotografado, diminui-se a profundidade de campo. Por isso, deve- se
fechar o máximo possível o diafragma da objetiva, a fim de aumentar a zona focada. No entanto, um diafragma cerrado significa a diminuição da velocidade de obturação. Se estivermos trabalhando com a câmera montada num tripé não há problema, mas com o equipamento na mão, uma velocidade relativamente baixa pode levar a fotos tremidas ou desfocadas. E ainda, levando- se em conta que, para se conseguir nitidez nos detalhes da imagem o filme utilizado deve ter uma granulação fina, o que significa o uso de filmes de baixa ou média sensibilidade ( ISO 50 ou 100 ), a exposição terá de ser mais longa.
A iluminação do motivo a ser fotografado pode ser natural ou artificial. A melhor forma de iluminação natural é a luz do Sol, mas esta depende das condições climáticas e, em algumas ocasiões, o local onde o motivo se encontra. Por exemplo, dentro de mata fechada ou dentro de um cômodo onde a luz solar não atinge, não podemos contar com esse tipo de iluminação, nos restando apenas a iluminação artificial.
O tipo de flash utilizado pode ser o convencional ou o circular, operado nos modos Manual, Automático ou TTL. A princípio, o flash convencional posicionado fora da câmera oferece os melhores resultados, já que permite iluminar os objetos em vários ângulos diferentes. Já o flash circular emite uma luz que ilumina o objeto por todos os ângulos, não formando sombras e, com isso, não dando volume a esse objeto. Mas, por outro lado, seu uso é de grande valia quando se foca o objeto à uma distancia muito próxima, dificultando o posicionamento do flash convencional, sem fazer sobra da objetiva sobre o motivo fotografado.
Dependendo do objeto a ser fotografado e como queremos mostrar esse objeto, pode se escolher diferentes formas de iluminação. De acordo com o efeito desejado, podemos iluminar nosso
motivo de forma frontal ou lateral, utilizando mais de um flash, com ou sem rebatedor e assim por diante.
Tipos de iluminação com uso de flash
1- Iluminação frontal: nesse tipo de iluminação, a fonte de luz está no mesmo eixo da câmera, isto é, aponta diretamente para o local focalizado. È utilizado quando não é necessário detalhar a forma e textura do motivo, ou quando não se dispõe de outras fontes de luz complementares. Pode-se obter bons resultados quando o motivo a ser fotografado é plano.
2- Iluminação lateral: a fonte de luz é colocada em posição lateral, num ângulo de 45o, podendo estar no mesmo nível da câmera ou elevado em relação a mesma. Esse é um tipo de iluminação ideal para objetos de formas arredondadas, com superfície áspera ou com muita textura. Na maioria dos casos, pode- se utilizar um outro flash, ou um rebatedor, a fim de atenuar as sombras formadas pelo flash principal.
3- Iluminação rasante: o flash é colocado de forma que a luz emitida incida paralelamente ao objeto a ser fotografado, que deve ser plano e com textura. Como a luz incide rente ao motivo, as
sombras formadas acentuam os detalhes, sendo que, nos casos dessas sombras serem muito proeminentes, pode- se usar um rebatedor suave. Para se avaliar os resultados desse tipo de iluminação, antes de fotografar o objeto, devemos ilumina- lo com uma fonte de luz contínua para saber em qual posição devemos colocar o flash.
4- Iluminação de bordo: certos exemplares de seres vivos, como insetos ou plantas, possuem pelos tênues em sua superfície, que podem ressaltados quando se coloca uma iluminação incidindo por trás do objeto, num ângulo de aproximadamente 45o. Como a parte do motivo voltada para a câmera não recebe a luz do flash colocado na parte posterior, pode- se utilizar um segundo flash posicionado a 45o na parte frontal, de forma oposta ao primeiro flash. Nesse caso a segunda unidade de iluminação deve estar regulada em metade da carga.
5- Iluminação indireta: quando se deseja iluminar um determinado objeto com luz suave, que não produza muita sombra, se pode utilizar o artifício de rebater o flash numa superfície branca refletora. Esse rebatedor deve estar direcionado para o motivo, podendo ser frontal ou lateral, dependendo do efeito desejado. Ao contrário da iluminação direta, esse tipo de iluminação produz uma luz mais homogênea, com efeitos menos contrastantes.
Modo prático de se obter a iluminação correta
Uma das maneiras de se conseguir bons resultados em iluminação para macrofotografia é a experimentação. Para isso se deve utilizar filmes reversíveis ( cromo / slide ), visto que a imagem é impressa diretamente na película, sem sofrer influencia dos ajustes de exposição da ampliação da cópia.
Numa primeira etapa escolhemos o equipamento que iremos utilizar, entre câmeras, objetivas, flash e filmes. O motivo a ser fotografado pode ser um objeto que tenha cores vibrantes, para facilitar a avaliação da iluminação, após a revelação do filme. A seguir, se escolhe o aumento desejado ou então mede- se a distancia entre o objeto focado e o plano focal, sendo que, em algumas objetivas macro, essa distancia pode ser obtida no anel de focalização. Visto isso, calcular o fator de correção para a iluminação ( fórmula ) e ajustar a abertura do diafragma da objetiva.
Após esses procedimentos, colocar os flashes na posição desejada e dispara- se a máquina fotográfica, fazendo bracketing de + 1 ponto e – 1 ponto além da abertura calculada. Assim, por exemplo, se a abertura escolhida foi de f16, faz- se os disparos com f 11 (+1 ponto ) , f16 e f22 ( - 1 ponto ). Depois de revelar o filme, compare as imagens obtidas com o motivo fotografado, anotando o aumento utilizado e a abertura de diafragma que apresentou melhor reprodução.
Esse procedimento deve ser repetido com aumentos diferentes, sendo os resultados obtidos colocados em uma tabela. Assim, da próxima vez que for fotografar utilizaando um determinado aumento e o mesmo tipo de iluminação, é só consultar a tabela para saber qual abertura utilizar.